Recomeçar Também é Vencer: A Coragem de se Reinventar
Durante muitos anos, eu achei que crescer profissionalmente significava apenas avançar.
Criar mais. Construir mais. Assumir desafios maiores. Abrir empresas, desenvolver projetos, formar equipes, correr riscos e buscar oportunidades onde muitas vezes ninguém ainda enxergava nada.
Com o tempo, descobri que a vida não funciona em linha reta.
Minha trajetória profissional passou por tecnologia, mobilidade, saúde, investimentos e educação. Participei da construção de empresas e projetos, vi ideias saírem de uma folha de papel e ganharem as ruas, acompanhei negócios crescerem e também vivi o encerramento de ciclos que um dia pareceram definitivos.
YetGo, Chofer App, Chofer BANK, Life Sul e, mais recentemente, os projetos ligados à educação fazem parte dessa história.
Cada empresa deixou alguma coisa.
Algumas deixaram resultados.
Outras deixaram aprendizado.
E determinadas experiências deixaram marcas que nenhum currículo consegue explicar.
Empreender me ensinou muito sobre estratégia, negociação, gestão e inovação. Mas os períodos mais difíceis me ensinaram coisas que nenhum curso de administração poderia ensinar.
Aprendi o que significa precisar começar novamente quando você já havia construído muito.
Aprendi a entrar em uma sala carregando problemas pessoais e, mesmo assim, precisar tomar decisões profissionais.
Aprendi que existem dias em que liderança não significa ter todas as respostas. Significa simplesmente não abandonar as pessoas que dependem de você.
Também descobri algo sobre mim que provavelmente não conheceria se tudo tivesse acontecido exatamente como planejei: eu consigo recomeçar.
Recomeçar não é voltar ao ponto zero.
Quem recomeça leva consigo experiência, erros, cicatrizes, conhecimento, relacionamentos e uma percepção muito diferente sobre aquilo que realmente merece sua energia.
Hoje, quando olho para o passado, não quero transformá-lo em uma história perfeita.
Ela não foi.
Tomei decisões certas e outras que eu faria diferente. Confiei, arrisquei, acertei, errei, perdi coisas importantes, construí outras e precisei reorganizar minha vida mais de uma vez.
Faz parte da minha história.
Só não aceito que uma fase da vida tenha autoridade para decidir todos os capítulos seguintes.
Talvez alguém esteja lendo este texto justamente em um daqueles períodos em que parece que tudo saiu do lugar.
Uma empresa que não deu certo.
Uma carreira interrompida.
Uma dívida.
Uma separação.
Uma injustiça.
Uma escolha ruim.
Uma oportunidade perdida.
Ou simplesmente aquela sensação difícil de explicar de olhar para a própria vida e pensar: “Eu esperava estar em outro lugar a essa altura.”
Eu conheço essa sensação.
E foi exatamente nesses momentos que percebi que reconstruir uma vida começa muito antes de os resultados aparecerem.
Começa quando você volta a acordar com um objetivo.
Quando aprende novamente.
Quando liga para alguém.
Quando apresenta outra proposta.
Quando admite um erro.
Quando abandona aquilo que já não faz sentido.
Quando tem coragem de começar um projeto mesmo sabendo que ninguém pode garantir o resultado.
Hoje, uma parte importante da minha energia está direcionada à educação.
Tenho trabalhado com projetos envolvendo tecnologia educacional, robótica, laboratórios, materiais pedagógicos, formação e soluções voltadas às escolas.
Depois de passar por diferentes mercados, existe algo especial em trabalhar com educação: aquilo que construímos pode chegar a pessoas que talvez nunca saibam nossos nomes, mas que poderão ter mais oportunidades porque uma escola recebeu uma ferramenta melhor, um professor teve acesso a uma formação ou um estudante descobriu uma possibilidade que antes não conhecia.
Isso aumenta minha responsabilidade.
E também dá um significado diferente ao trabalho.
Não escrevo estas palavras para apresentar uma fórmula de sucesso. Não tenho uma.
Desconfio de quem diz que tem.
Escrevo porque sei que muita gente extremamente capaz está atravessando hoje uma fase ruim e começando a acreditar que aquilo é sua identidade.
Não é necessário romantizar a dificuldade.
Perder dói.
Fracassar dói.
Ser julgado dói.
Precisar reconstruir enquanto outras pessoas parecem avançar dói.
Mas existe vida depois disso.
Existe trabalho depois disso.
Existem projetos depois disso.
Existem pessoas que você ainda não conheceu, lugares onde você ainda não chegou e oportunidades que hoje sequer consegue enxergar.
Tenho mais experiência hoje justamente porque algumas coisas não aconteceram como eu gostaria.
E continuo construindo.
Talvez de maneira diferente.
Talvez com mais cautela.
Certamente com mais consciência.
Aos poucos, fui entendendo que dar a volta por cima não é voltar a ser quem você era.
É construir alguém capaz de seguir adiante carregando o que aprendeu — sem permitir que aquilo que viveu determine até onde pode chegar.
Ainda tenho muito a fazer.
Minha história profissional continua em construção.
E, se este texto encontrar alguém pensando em desistir de um projeto, de uma carreira ou de si mesmo, gostaria apenas que essa pessoa considerasse uma possibilidade:
Talvez você não esteja diante do fim da sua história.
Talvez esteja diante da parte em que terá de escrevê-la de outro jeito.
Eu precisei fazer isso.
E continuo fazendo.

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